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Como lidar com crises de ansiedade!?

  • Foto do escritor: Diego Augusto Santos
    Diego Augusto Santos
  • há 7 dias
  • 3 min de leitura

Crises de ansiedade podem ser experiências bastante desconfortáveis. Em alguns momentos, elas aparecem acompanhadas de aceleração dos batimentos cardíacos, falta de ar, tensão muscular, tremores, sensação de perda de controle ou pensamentos de que algo ruim está prestes a acontecer. Embora essas sensações possam assustar, é importante compreender que a ansiedade faz parte do funcionamento humano e tem uma função: ela prepara o organismo para responder a situações percebidas como ameaçadoras. O problema costuma surgir quando essa reação se torna muito intensa, frequente ou começa a limitar a vida da pessoa.


Na perspectiva da Análise do Comportamento, uma crise de ansiedade não é vista apenas como algo que “surge do nada”. É importante observar o contexto em que ela acontece: o que estava ocorrendo antes, quais pensamentos e sensações apareceram, como a pessoa reagiu e o que aconteceu depois. Muitas vezes, determinadas situações passam a ser associadas a perigo ou desconforto, e a pessoa começa a evitá-las. Sair rapidamente de um lugar, cancelar compromissos ou buscar constantemente garantias de que nada ruim acontecerá pode trazer alívio imediato, mas também pode aumentar a dificuldade de lidar com situações semelhantes no futuro.


Por isso, durante uma crise, o objetivo nem sempre precisa ser eliminar imediatamente a ansiedade. Tentar controlar à força cada sensação, pensamento ou emoção pode aumentar ainda mais a preocupação com aquilo que está sendo sentido. Uma alternativa é reconhecer: “estou sentindo ansiedade neste momento” e observar as sensações sem interpretá-las automaticamente como sinais de que algo terrível está acontecendo. Respirar de maneira mais lenta, perceber o contato dos pés com o chão, observar objetos ao redor e direcionar a atenção para o momento presente podem ajudar a diminuir a sensação de estar sendo completamente dominado pela experiência.


A Terapia de Aceitação e Compromisso, conhecida como ACT, acrescenta uma ideia importante: sentir ansiedade não significa necessariamente que precisamos obedecer a tudo o que ela nos diz. A mente pode produzir pensamentos como “eu não vou conseguir”, “preciso sair daqui” ou “isso vai dar errado”. Em vez de discutir com esses pensamentos ou tentar expulsá-los, podemos aprender a percebê-los como pensamentos — eventos que passam pela nossa mente, mas que não precisam determinar nossas escolhas. Existe uma diferença importante entre pensar que algo ruim acontecerá e ter certeza de que isso realmente acontecerá.


Outro aspecto central da ACT é ajudar a pessoa a continuar se aproximando daquilo que considera importante, mesmo quando algum desconforto está presente. Quando toda a vida começa a ser organizada para evitar a ansiedade, o espaço para relacionamentos, trabalho, lazer, autonomia e novas experiências pode diminuir cada vez mais. O tratamento psicológico busca ampliar gradualmente esse espaço. Isso não significa simplesmente “enfrentar o medo” de qualquer maneira, mas desenvolver habilidades para permanecer em contato com determinadas situações de forma planejada e progressiva, aprendendo que é possível experimentar ansiedade sem necessariamente abandonar aquilo que importa.


Assim, lidar com crises de ansiedade envolve mais do que descobrir técnicas para fazê-las desaparecer rapidamente. Envolve compreender como elas funcionam, identificar padrões de evitação, aprender novas formas de se relacionar com pensamentos e sensações e recuperar a liberdade de fazer escolhas que não sejam determinadas apenas pelo medo. Quando as crises são frequentes, muito intensas ou começam a interferir significativamente na rotina, nos relacionamentos ou no trabalho, o acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender melhor esses padrões e construir estratégias adequadas à realidade de cada pessoa.

 
 
 

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